CURIOSIDADES DA FÍSICA
José Maria Filardo Bassalo
www.bassalo.com.br

O Célebre Diálogo entre Dirac e Feynman.

 

Os dois famosos físicos, o inglês Paul Adrien Maurice Dirac (1902-1984; PNF, 1933) e o norte-americano Richard Philips Feynman (1918-1988; PNF, 1965) eram reconhecidos por serem, respectivamente, introvertido e extrovertido. Entre os vários fatos jocosos e inusitados que aconteceram em suas vidas, existe o célebre diálogo que acorreu entre eles e que é assim narrado pelo escritor norte-americano James Gleick (n.1954) no livro intitulado Genius: The Life and the Science of Richard Feynman (Pantheon Books, 1992; Gradiva, 1993).        

                   Certa vez, Dirac e Feynman se encontraram em um Congresso e trocaram o provável diálogo, registrado por um físico que se encontrava distante:

 

                   Sou Feynman.

                    

                   Sou Dirac.

 

                     (Silêncio)

 

                   Deve ser maravilhoso ser o descobridor de uma equação.

 

                   Isso foi há muito tempo.

 

                          (Pausa...)

 

                   Em que está trabalhando?

 

                    Nos mésons.

 

                   Está tentando descobrir uma equação para eles?

 

                   É muito difícil.

 

                   É preciso tentar.

 

                   Para entender esse diálogo, é interessante destacar que Dirac descobriu sua famosa equação -   - em 1928, para descrever relativisticamente o elétron levando em consideração seu spin 1/2 (vide verbete nesta série). Por outro lado, com a descoberta dos então mésons (hoje, múons), em 1937, pelos físicos norte-americanos Carl David Anderson (1905-1991; PNF, 1936) e Seth Neddermeyer (1907-1988), e confirmada em outras experiências [destacando-se a célebre experiência realizada, em 1947, pelos físicos, os ingleses Sir Cecil Frank Powell (1905-1969; PNF, 1950) e Hugh Muirhead (1925-2007), o italiano Giuseppe Paolo Stanislao Occhialini (1907-1993) e o brasileiro Cesare (César) Mansueto Giulio Lattes (1924-2005) conforme vimos em verbetes desta série], a questão que se colocava era a de explicá-los teoricamente. Assim, em 1952 (Symposium on New Research Techniques in Physics, 15-29 July), Feynman e o físico brasileiro José Leite Lopes (1918-2006) usaram os mésons pseudoescalares (caracterizados por JP = 0-, sendo JP o spin-paridade) para explicar o dêuteron (núcleo do isótopo do hidrogênio: 1H2 = D). Contudo, foi com o também célebre artigo escrito por Feynman e pelo físico norte-americano Murray Gell-Mann (n.1929; PNF, 1969), em 1958 (Physical Review 109, p. 193), que a Teoria dos Mésons ficou completa quando eles demonstraram que essas Partículas Elementares faziam parte de uma família mais ampla, os léptons, e que interagem fracamente (vide verbete nesta série).

                     É interessante destacar que outros fatos curiosos sobre o comportamento humano desses dois físicos podem também ser encontrados, por exemplo, em: www.searadaciencia.ufc.br/antimateria; wikipedia/Paul_Dirac; Richard P. Feynman, Surely You´re Joking, Mr. Feynman! (Bantam Books, 1986); Richard P. Feynman/ Ralph Leighton, “What Do You Care What Other People Think?”: Further Adventures of a Curious Character (W. W. Norton & Company, 1988); Richard P. Feynman, The Pleasure of Finding Things Out (Perseus Books, 1999); Helge Kragh, Paul Dirac: Seeking Beauty (Physics World 15, p. 27, August 2002); e Rogério Rosenfeld, Feynman & Gell-Mann: Luz, Quarks, Ação (Odysseus, 2003).