Uma
Breve História da Cinematografia. O primeiro passo importante para o
desenvolvimento da indústria cinematográfica foi dado, em 1824, pelo médico inglês
P. M. Roget, com sua teoria da persistência de visão,
segundo a qual o olho humano é incapaz de distinguir alterações de luz tão
rápida, pois uma imagem permanece em nossa visão por apenas um milissegundo (10-3
s). Enquanto não se conseguia uma maneira de fixar as imagens, muito inventores
desenvolveram apenas brinquedos para movimentarem imagens, usados para
distraírem pessoas. Por exemplo: o phenakistoscope [da
raiz grega: phenakizein
(trapacear)], em 1832, independentemente, pelo belga Joseph Plateau
e pelo austríaco Simon von Stampfer; o zoëtrope (zootropo), ou “roda da vida” [do grego zoe (vida) e trope (girar)], em 1834, por William
George Horner; e o chorentoscope (choreutoscope) (da raiz grega choros, que se relaciona com o teatro), em 1866, pelo médico inglês
Lionel Smith Beale (1828-1906). Contudo, a primeira
experiência com fotografia de movimento deve-se ao fotógrafo inglês Eadweard James Muybridge
(1830-1904) que, em 1878, utilizou uma série de câmaras escuras para registrar
os movimentos de humanos e de cavalos. Para isso recriou o zootropo que
funcionava movimentando desenhos e fotografias, que eram visualizadas através
de uma fenda em um dispositivo por ele denominado de zoopraxiscópio.
O inventor francês Étienne Jules Marey
(1830-1904), em 1882, construiu o fuzil cronofotográfico,
capaz de produzir 12 fotogramas (frames)
consecutivos por segundo. [A. Kistner, Historia de Paralelamente a esses
brinquedos lúdicos, houve o desenvolvimento da técnica de fotografia,
principalmente devido aos trabalhos do litógrafo francês Joseph Nicéphore Niépce (1765-1833), em
1822 e 1826, e do pintor, cenógrafo e químico francês Louis Jacques Mande Daguerre (1787-1851), em 1835 e 1837, técnica essa que foi
importante para a indústria da cinematografia,
como veremos a seguir. Em 1891, o inventor norte-americano Thomas Alva Edison
(1847-1931) e seu assistente, o inventor franco-anglo-escocês
William Kennedy Laurie Dickson
(1860-1935) obtiveram a patente de um dispositivo que é, basicamente, um retroprojetor
ou projetor
de imagens, ou seja, um sistema óptico formado de lentes e um espelho
côncavo, que concentra a luz (vinda de uma lâmpada colocada na frente do
espelho) sobre uma transparência (filme) e a projeta em uma
tela (“screen”) colocada a certa distância. Esse dispositivo usava uma câmera
cinematográfica denominada por eles de cinetógrafo e
um sistema de exibição chamado de cinetoscópio.
Registre que Edison e Dickson construíram o primeiro estúdio
cinematográfico, o Black Maria,
construção essa dirigida por Dickson, entre 1891 e
1892. Nesse estúdio, foram produzidos muitos curtas-metragens, inclusive o
primeiro faroeste chamado Cripple Creek Bar-Room, em 1899. O primeiro filme faroeste foi o até hoje famoso The Great Train Robbery (“O Grande Roubo do Trem”), em 1903. (Philbin, op. cit.). A cinematografia também deve muito aos irmãos Lumière
[Auguste Marie Louis Nicholas (1862-1954) e Louis Jean (1864-1948)], inventores
do cinematógrafo, cuja patente foi
recebida por eles em 13 de fevereiro de 1895. [Registre que o inventor francês
Léon Guillaume Bouly
(1872-1932), antes, em 12 de fevereiro de 1892, apresentou sua invenção do cinematógrafo, porém não conseguiu
obter a patente, pois não conseguiu pagar o aluguel da patente e, por isso,
perdeu-a.] Esse aparelho dos Lumière continha um
dispositivo de obturação em forma de cruz de malta, usando película perfurada
de Kistner, op. cit.; Perry, op. cit.; Philbin, op. cit.).
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