CURIOSIDADES DA FÍSICA
José Maria Filardo Bassalo
www.bassalo.com.br

A Lei de Boyle e os Peixes.

 

Em verbete desta série, vimos que o físico e químico inglês Robert Boyle (1627-1691), na segunda edição de seu livro New Experiments Physio-Mechanical, Touching the Spring of the Air and Its Effects (“Novos Experimentos Físio-Mecânicos, no Tocante a Elasticidade do Ar e seus Efeitos”), publicada em 1662, ele enunciou a seguinte Lei (hoje, Lei de Boyle):

 

Para uma massa de um gás, em uma temperatura (T) constante, o produto da pressão (P) pelo volume (V) mantem-se constante (C), ou seja: PV = C.

 

                   Mais tarde, em 1834, o engenheiro e físico francês Benoit-Pierre-Émile Clapeyron (1799-1864), demonstrou que os gases perfeitos satisfazem a uma equação do tipo: PV = nRT, onde n é o número de mols (representado em moléculas-grama ou moléculas-kilograma) e R é a constante universal dos gases. Portanto, para uma dada T, a constante C da Lei de Boyle, depende no número (n) de moléculas.  

                   Segundo o biólogo e historiador da Ciência, o inglês Richard Dawkins (n.1941), nascido em Nairóbi, Quênia, em seu excelente livro A Grande História da Evolução (Companhia das Letras, 2009), ao estudar o movimento dos peixes dentro d´água, ele diz que: como os peixes não podem fazer variar a pressão ou o volume para manter o número (n) de moléculas constante para obedecer a Lei de Boyle (como fazem os mergulhadores profissionais envolvidos por uma bolha contendo um valor fixo de n, pressionando ou aliviando a bexiga natatória), os peixes ajustam o valor de n. Assim, para afundar eles absorvem no sangue algumas moléculas de água de sua bexiga natatória, e assim reduzem o volume. Para subir, fazem o inverso, liberando moléculas de gás na bexiga natatória.