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CURIOSIDADES DA FÍSICA José Maria Bassalo |
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Berti, Torricelli e a Medida da Pressão Atmosférica. As bombas aspirantes já eram
conhecidas pelas civilizações antigas e, com elas, conseguiam elevar uma coluna
de água até determinada altura [no Século 17 observou-se que essa altura era em
torno de dez (10) metros, conforme veremos mais adiante]. O apotegma
Aristotélico, qual seja: A Natureza tem
horror ao vácuo, era empregado pelos filósofos da Antiguidade para explicar
a elevação da água. Diziam que, como não poderia haver vácuo entre o êmbulo da bomba e a coluna de água, esta seguia sempre o êmbulo. Porém, eles não sabiam explicar a razão pela qual a
água não podia subir até qualquer altura. Sobre essa dificuldade da elevação de
uma coluna de água acima de qualquer altura, existe o seguinte fato. Por volta
de 1630, um jardineiro construiu uma bomba aspirante para os jardins do
Grão-Duque Ferdinando II de Toscana (1610-1670), em Florença, Itália, bomba
essa que se destinava a elevar uma coluna de água acima de dez (10) metros. No
entanto, por mais que o jardineiro se esforçasse no sentido de elevar a água
acima da altura desejada não o conseguia, pois quando a coluna de água atingia
a altura de 18 braças, isto é, cerca de Resposta semelhante a essa, seria também dada por Galileu ao responder uma carta que o físico italiano Giovani Battista Baliani (1582-1666) lhe escreveu, de Gênova, em 1630, relatando uma experiência que fizera. Ele tentara, sem sucesso, extrair água de um reservatório no alto de uma colina com cerca de vinte e um (21) metros de altura com um sifão. A água, contudo, atingia sempre a altura em torno de dez (10) metros logo que o tubo do sifão era destampado. Em sua carta, Galileu dizia que a ruptura da massa de água quando atingia essa altura, se devia a que ela, a água, não era capaz de suportar determinado esforço limite. O mesmo deveria acontecer com outros líquidos, acrescentou Galileu. Conforme veremos mais adiante, a solução dessa intrigante questão está ligada ao “peso do ar”. Cremos que Galileu não chegou a essa solução, pois, desde 1612, quando escreveu o livro Discorso intorno alle cose che stanno in su l´acqua (“Discurso sobre coisas que estão sob água”), acreditava que o ar não tinha peso. Apesar do físico holandês Isaac Beeckman (1588-1637) haver afirmado, em 1614, que o ar é pesado e nos pressiona por todos os lados de uma maneira uniforme, Galileu [segundo nos conta o físico e escritor norte-americano Tony Rothman em seu excelente livro Tudo é Relativo e Outras Fábulas da Ciência e da Tecnologia (Difel, 2005)], em 1615, afirmou: Observe que todo o ar, em si mesmo e acima da água, nada pesa... E que ninguém se surpreenda porque todo o ar não tem peso absolutamente nenhum, porque este é como água. Uma das primeiras
experiências realizadas no sentido de explicar a razão de haver uma altura
máxima para a água aspirada por uma bomba, foi conduzida pelo físico italiano Gasparo Berti (c.1600-1643). Com
efeito, em 1639, inspirado no livro Discorsi
i Demonstrazioni Mathematiche
intorno á Due Nuove Scienze Attenenti
alla Mecanica e Movimenti Locali (“Discursos
e Demonstrações Matemáticas em torno de Duas Novas Ciências Atinentes à
Mecânica e aos Movimentos Locais”) publicado por Galileu, em 1638, Berti construiu um tubo de chumbo de onze (11) metros de
comprimento, imerso em água, que terminava em uma longa cabeça de vidro, e o
fixou na fachada de sua casa, Apesar do que descrevemos
acima, a grande maioria dos livros que tratam dessa célebre experiência de
Torricelli sobre a medição da pressão atmosférica, realizada em 1643, afirmam ser o discípulo de Galileu o “descobridor” daquela
pressão. Eu próprio [vide Nascimentos da Física: Na conclusão deste verbete,
é importante ressaltar que a pressão atmosférica é definida
como a pressão (força/área) resultante do peso da camada atmosférica sobre a
superfície da Terra. Essa pressão ao nível do mar, representada por Po, no Sistema
Internacional de Unidades (SI)
tem o seguinte vale: Po
= 101 325 pascals (pa) =
101 325 newtons/m2 (corresponde a
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