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CURIOSIDADES DA FÍSICA José Maria Bassalo |
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Onnes e a Descoberta da Supercondutividade. . |
onde a constante a decorre da colisão entre as moléculas (pressão interna), a constante b é o co-volume ou volume
próprio das moléculas, P, V e T significam, respectivamente, a pressão, o volume
e a temperatura absoluta do gás, e R
a constante universal dos gases. Segundo nos conta o físico
norte-americano Robert L. Weber (n.1913) em seu livro Pioneers of Science:
Nobel Prize Winners in Physics (The Institute of Physics, 1980), Objetivando realizar medidas
mais precisas em baixas temperaturas, Onnes passou a estudar os trabalhos de
van der Waals. Assim, em 1901 (Communications
from the Physical Laboratory at University of Leiden 74), propôs a seguinte Equação de Estado dos Gases Reais:
onde B, C, D, E
e F foram chamados
por ele de os coeficientes do virial e que dependem de T, da seguinte maneira:
com expressões similares para as demais constantes. A partir dessa equação, Onnes obteve alguns dados experimentais sobre os gases reais. Contudo, restava um problema sério, qual seja,
uma descrição teórica daqueles coeficientes. É oportuno registrar que o virial foi definido pelo físico alemão
Rudolf Julius Emmanuel Clausius (1822-1888), em 1870 (Annalen der Physik 141,
p. 124), pela expressão 
é a força atuando
sobre a i-ésima molécula
(de energia cinética média 
e <...>
representa o valor médio da expressão contida em seu interior. Além do mais,
quando essa expressão é igualada à energia cinética total (
N moléculas,
tem-se o famoso Teorema do Virial.
Voltemos ao trabalho de
Onnes. Na época em que começou a trabalhar
Apesar dessas conquistas, o principal objetivo de Onnes, o da liquefação do He, apresentava uma certa dificuldade, já que era necessário resfriar esse elemento químico e depois expandi-lo livremente, pois, de acordo com o efeito Joule-Thomson (1862), essa expansão livre faria baixar a temperatura desse gás nobre. Assim, com a colaboração do mestre artífice, o holandês Gerrit Jan Flim (1875-1970) e do chefe dos sopradores de vidro, o holandês Oskar Kesselring, Onnes consegui liquefazer o hélio ao envolver o frasco que continha esse gás com um frasco de hidrogênio líquido, que, por sua vez, estava envolto por um outro frasco contendo ar líquido. Ao medir a temperatura do hélio líquido, observou que a mesma era em torno de 4.2 K (- 268,9 oC). Isso aconteceu em 10 de julho de 1908 (Communications from the Physical Laboratory at University of Leiden 108).
De posse dessa técnica de
obter temperaturas as mais baixas até então conseguidas, conhecida como método em cascata, Onnes
sugeriu que seu aluno, o físico holandês Gilles Holst (1886-1968), juntamente
com Flim, medissem a temperatura de um bastão congelado de mercúrio (Hg) puro, uma vez que era
possível obter, nessa época, esse bastão. Ao realizarem tal experiência, eles
observaram que quando a temperatura atingia 4.2
K, a resistência elétrica do mercúrio caía bruscamente para 10-5 ohms. Onnes, a
princípio, não acreditou no que estava acontecendo, por isso repetiu várias
vezes a experiência até se convencer dos resultados
encontrados. Assim, os Communications
from the Physical Laboratory at University of Leiden 122B e
É interessante registrar que, além de suas pesquisas com a supercondutividade, Onnes realizou outras experiências, ainda envolvendo baixas temperaturas, e relacionadas com um outro surpreendente fenômeno físico, descoberto muito depois de sua morte. Trata-se da superfluidez. Com efeito, em 1911, Onnes percebeu que a densidade do hélio líquido (mais tarde conhecido como He II) atingia um valor máximo na temperatura de aproximadamente 2,19 K. Em 1924, esse líquido o surpreendeu novamente, pois observou que o seu calor específico crescia assustadoramente, quando sua temperatura se aproximava de 2,19 K. Antes, em 1922 (Communications from the Physical Laboratory at University of Leiden 159), ele registrou que os níveis do hélio líquido, colocados em dois vasos Dewar (“garrafas térmicas”) concêntricos, atingiam a mesma altura, efeito esse que atribui à destilação de um pelo outro. Esses comportamentos estranhos do hélio líquido só foram explicados com a descoberta da superfluidez, em 1938, em experiências independentes realizadas pelos físicos, o russo Pyotr Leonidovich Kapitza (1894-1984; PNF, 1978), e os canadenses John Frank Allen (1908-2001) e Austin Donald Misener (1911-1996).
Além de excelente cientista, Onnes era conhecido por sua diplomacia no trato com as pessoas, muito embora, exigisse que seus auxiliares trabalhassem acima de suas potencialidades. Apesar disso, era muito estimado por seus colaboradores. Conforme nos conta o físico holandês Karl Mendelssohn em seu livro Em Demanda do Zero Absoluto (Editorial Inova, 1968), por ocasião do enterro de Onnes, cuja morte ocorreu no dia 21 de fevereiro de 1926, o cortejo fúnebre seguiu o trajeto da Igreja para o cemitério. Como houve um atraso na saída da Igreja, o cortejo teve de ser acelerado para chegar a tempo no cemitério. Flim e Kesselring, que acompanhavam o corpo do mestre, comentaram: Muito próprio do velho, mesmo agora nos obriga a correr.