SEARA DA CIÊNCIA
COMO VIVEM AS ESTRELAS

A SUPERNOVA 1987A E OS NEUTRINOS

A supernova 1987A foi vista, pela primeira vez, por astrônomos canadenses trabalhando no Observatório Las Campanas, no Chile, em 24 de fevereiro de 1987. Foi um tremendo golpe de sorte pois os cientistas puderam registrar o momento exato em que a luz da explosão chegou à Terra. Como vimos no capítulo anterior, os teóricos calculavam que a explosão de uma supernova deveria liberar uma grande quantidade de neutrinos, e que alguns desses neutrinos deveriam passar pela Terra pouco depois da chegada da luz da explosão. Pois em 1987, por sorte, já existiam dois grandes detetores de neutrinos na Terra: um nos Estados Unidos e outro no Japão.

Esses enormes detetores, situados no fundo de minas profundas, tinham sido construidos para detetar decaimentos de prótons. Até hoje, nenhum decaimento de próton foi detetado. Só neutrinos. Hoje em dia, a principal missão desses detetores passou a ser só essa: detetar neutrinos. Outro golpe de sorte foi que esses detetores eram pouco sensíveis aos neutrinos de baixa energia emitidos pelo Sol mas respondiam muito bem aos neutrinos energéticos lançados por uma supernova. Isso facilitou enormemente a caracterização dos neutrinos que chegaram da supernova 1987A. Nos segundos subsequentes à chegada da luz da 1987A os dois detetores acusaram a chegada de muitos neutrinos. Foi um sucesso! Os teóricos tiveram seus modelos de supernova comprovados até quantitativamente. Deu até para concluir que a onda de choque da explosão levou duas horas para ir do centro da estrela até sua superfície.

Hoje, a supernova 1987A é vista no céu apenas como uma nuvem de gás em expansão. A foto ao lado mostra essa nuvem de gás, vista pelo telescópio espacial Hubble.
Como dissemos anteriormente, os teóricos ainda tinham um problema relacionado com os neutrinos produzidos pelo Sol. Eles chegam na Terra em número bem menor que o previsto pelos cálculos baseados nas reações nucleares no centro da estrela. Se as contas deram certo com a supernova 1987A, por que não se ajustavam ao caso dos neutrinos de menor energia vindos do Sol?
Foram construidos outros enormes detetores de neutrinos, agora capazes de medir neutrinos de menor energia. Além disso, surgiu uma explicação teórica para a discrepância. Segundo esse modelo, os neutrinos emitidos pelo Sol teriam o mau costume de se transformar em outros tipos de neutrinos, esses impossíveis de serem detetados. Essa transformação aconteceria se os neutrinos tivessem massa. Pois bem, recentemente o detetor SuperKamiokande, no Japão, comprovou essa hipótese. Parece que o enigma foi resolvido e os astrofísicos acham que já sabem tudo sobre o comportamento de uma estrela normal, como o Sol.


Capítulo 6: O limite de Chandrasekhar.

Capítulo 7: O conflito entre Eddington e Chandrasekhar.

Capítulo 8: S. Chandrasekhar e o brasileiro Mário Schenberg.