SEARA DA CIÊNCIA
COMO VIVEM AS ESTRELAS

MORTE DE UMA GRANDE ESTRELA

Estrelas com grande massa não vivem muito tempo; obesidade nunca é saudável. Além disso, acabam explodindo de forma espetacular. Antes de explodir, a estrela pesada (M > 8 ) tem um núcleo muito compacto. Nele, a temperatura já está tão alta (~1010 graus) que as reações nucleares lá dentro chegam até a formar o elemento ferro - e param por aí, pois o ferro não se funde. Por que não? Porque a "queima" nuclear, como, aliás, a queima normal, só acontece se a reação liberar energia. A fusão de núcleos de ferro, para formarem elementos ainda mais pesados, absorve energia. E ainda não existe energia disponível para isso no núcleo da estrela, antes dela explodir.

Quando a massa do núcleo da estrela, que nesse estágio é composto quase só de ferro, alcança um valor em torno de , não dá mais para sustentar. A gravidade vence tudo de roldão e o núcleo da estrela colapsa até se reduzir a uns 10 quilômetros de diâmetro, em frações de segundo. BUM! O núcleo explode e lança uma tremenda onda de choque que se espalha pela estrela. No processo, elementos mais pesados que o ferro chegam a se formar. O núcleo, depois desse momento, se constitui praticamente só de neutrons e neutrinos. Em poucos segundos, os neutrinos são ejetados, carregando quase toda a energia do colapso. A quantidade de energia liberada é incrível. Equivale a umas 100 vezes toda a energia produzida pelo Sol durante toda sua vida de 10 bilhões de anos!
A tremenda onda de choque continua se propagando até alcançar a superfície e arrebentar a estrela toda. Num instante, a luminosidade da estrela cresce enormemente. Quando essa luz chega à Terra, é vista como uma nova estrela brilhante - daí seu nome.

A camada de gás ejetado pela supernova se espalha pelo espaço levando consigo os elementos pesados recentemente sintetizados. As supernovas, portanto, são fornalhas naturais onde esses elementos são produzidos. As camadas remanescentes se espalham a partir da estrela explodida e podem ser vistas por centenas de milhares de anos como enormes regiões nebulosas.

A mais famosa supernova da história foi vista em 4 de Julho de 1054. A explosão, na verdade, ocorreu uns 6500 anos antes dessa data, pois esse foi o tempo que a luz levou para vir da estrela até nós. Astrônomos chineses e japoneses registraram bem direitinho o aparecimento e o aspecto dessa supernova. Os europeus, em plena Idade Média, não registraram nada. Hoje, os restos dessa explosão constituem a Nebulosa do Caranguejo, onde vemos uma grande nuvem de gás se espalhando. A figura ao lado mostra essa nuvem que é vista na constelação de Touro.
Bem mais recentemente, em 1987, foi vista e registrada uma supernova que se tornou muito importante porque os astrônomos estavam bem preparados para estudá-la de forma sistemática. É a história que contaremos a seguir.


Capítulo 5: A supernova 1987A e os neutrinos.

Capítulo 6: O limite de Chandrasekhar.

Capítulo 7: O conflito entre Eddington e Chandrasekhar.

Capítulo 8: S. Chandrasekhar e o brasileiro Mário Schenberg.